terça-feira, 15 de julho de 2014

Capitalismo tardio e sociabilidade perversa

Percam 55 minutos de suas vidas para assistir esta palestra do prof. Dr. João Manuel Cardoso de Mello, professor e fundador da Facamp e do instituto de economia da Unicamp.

Fui aluno dele há uns 14 anos atrás e parte dos problemas que comenta neste vídeo já haviam sido "diagnosticados" há muito tempo.

Chama atenção o fato dele não dar parâmetros consideráveis necessários para um rumo de mudanças do país. Na verdade, ao ser questionado sobre este tema, quase no final do vídeo, comenta brevemente sobre redução da taxa Selic, mas não adentra em nenhum assunto em específico. Aliás, me parece que esta é uma nova patologia que surge na sociedade brasileira atual, uma difusão de diagnósticos, mas uma completa falta de propostas. E mesmo quando alguma proposta surge, normalmente se trata de alguma ideologia servida enlatada.




Recentemente o prof. João Manuel defendeu a ideia de uma nova constituinte no país (leia o artigo aqui - publicação original no jornal Valor Econômico em 13.06.2014, não disponível online). Minha opinião particular é a de que uma nova constituinte, com um Congresso Nacional transformado num balcão de negócios como está hoje, só tenderá a piorar a situação num sentido geral em favor de quem já está no poder. 

domingo, 13 de julho de 2014

Desmilitarização da PM


O tema da desmilitarização da Polícia Militar foi uma pauta recorrente durante as manifestações deste ano e no ano passado. A justificativa apresentada por aqueles que a defendiam era a "truculência" da PM e o seu rastro de vítimas, abuso de autoridade, abuso da força física, entre outros. 

Desmilitarizar a PM, em suma, significa transformá-la numa polícia civil. É dar direito de greve a quem é militar. Trata-se de abrir a oportunidade para que o soldado simplesmente deixe de acatar ordens vindas de cima pelo motivo que quiser, relaxar o treinamento do soldado, e muito mais. 

Como a lei simplesmente não basta no combate ao crime, os que defendem a desmilitarização da PM entendem perfeitamente que a Instituição representa um dos últimos obstáculos contra o esquerdista armado, aqui inclui-se os traficantes de drogas e assaltantes de bancos (leiam o livro do jornalista Carlos Amorim, A História Secreta do Crime Organizado e entenderão o por quê).

Meu avô entrou para a polícia aos 16 anos. Na época podia entrar antes da maioridade e a admissão não era via concurso público, mas por vocação. Durante toda sua vida serviu à Força Pública do Estado de São Paulo, instituição esta que foi militarizada logo no início do regime militar, o qual apoiou. Bem no final de sua carreira, saiu da polícia e foi para o Exército, vindo a servir em diversos lugares do país, até hoje não sei em quê. Se na época dele era possível uma sociedade ter uma polícia desmilitarizada, a conjuntura não mais existe. Na época dele, menor não roubava e nem matava pra roubar. Não tinha Estatuto da Criança e do Adolescente. Os criminosos não atuavam de maneira organizada. Não tinha Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital ou coisa semelhante. 

Na época dele as casas tinham muros baixos apenas para conter o cachorro da família, delimitar a propriedade ou ainda servir de apoio para as donas do lar ter algo sobre o qual ficar encostada durante a conversa durante a tarde. Hoje, por outro lado, a conjuntura mudou. As casas parecem pequenos "fortes apaches", com muros altos, cacos de vidros, cercas elétricas, câmeras de segurança, cães de raça, e muito mais. 

À despeito da opinião da minoria, a vasta maioria da sociedade defende e apoia o serviço do policial militar. Esta campanha não passa de uma falácia de assassinos praticadas por inocentes úteis que não tem nem a visão histórica e a visão do todo.

sábado, 5 de julho de 2014

A polícia e seu papel de “guarda particular”


Policial do Choque anotava dados das pessoas revistadas.

É grave a informação segundo a qual o DEIC está enviando pessoas às manifestações para exclusivamente ficar filmando e seguindo pessoas. Ao que parece, este papel é alternado com a Polícia Militar que anota nome completo e endereço das pessoas que são revistadas nos atos.

Práticas sorrateiras como essa, que visam prejudicar o que determina a Constituição, não tem rigorosamente nada a ver com a defesa da “ordem pública”, a qual muitas vezes é quebrada pela própria polícia quando esta inicia criminosamente os ataques.

Pior, no cumprimento da “lei e da ordem”, as vontades de uma única pessoa, Geraldo Alckmin, se sobrepõem ao texto constitucional. É inadmissível que a polícia seja tão somente usada para acatar ordens e cumpri-las com obediência canina.

Com impressionante naturalidade, as pessoas alienadas já não se escandalizam com os fatos, muito embora milhões de empresários se beneficiaram diretamente com a redução do preço das tarifas de ônibus graças a pressão das manifestações do ano passado, o que lhes gerou boas economias com vale transporte dos funcionários. Beneficiaram-se também cerca de 19 milhões de pessoas com a pressão das manifestações contra o aumento do IPTU ocorreram graças a algumas centenas de pessoas que fizeram protesto na frente do apartamento do criminoso, digo, prefeito Haddad. Graças às manifestações, o governo estadual viu-se em situação temerosa com relação ao recente reajuste das tarifas de pedágio, razão pela qual desta vez o percentual foi inusualmente pequeno.

A grande mídia cumpre seu papel, sempre distorcendo, manipulando, tratando com desrespeito e desinformando a população. O Estadão chegou a publicar um vídeo no quais supostos adeptos do Black Bloc tinha planos de se vincular ao PCC. Tivesse o jornal um pingo de preocupação com a segurança pública, há muito teria denunciado o vínculo do PCC com a “zelite” do PT.

Mais recentemente, Reinaldo Azevedo fez uma campanha asquerosa contra um padre, Julio Lancellotti, atraves de um artigo que rechaçou a presença dele numa manifestação, questionando se a igreja teria estabelecido uma “pastoral de black blocs”, apesar da manifestação criticada pelo colunista só ter tido apenas uma pessoa caracterizada de preto. 

Nesta semana, e de maneira criminosa, o programa Conexão Reporter divulgou e usou imagens feitas pelo editorial Testemunha do Caos, sem autorização alguma. Tamanha é a sanha de cumprir com os interesses da “zelite” que o SBT sequer dignou-se a defender sua equipe de rua quando estes, numa manifestação, levaram socos de um policial disfarçado de manifestante, um clássico agente provocador, outra prática da polícia, mas também de partidos políticos.

Ontem, foi aprovado na Câmara dos Deputados de São Paulo, uma lei que proíbe o uso de máscaras em manifestações. A lei nada tem a ver com “desmotivar práticas de vandalismo” e mostra como o terreno está sendo aplainado para a porvindoura ditadura. A medida é complementar ao desarmamento forçado de cidadãos, pratica esta que vem em curso desde o referendo de 2005, apesar da reprovação popular.

Se esta ditadura terá “ares bolivarianos” ou “ares militaristas” é algo que apenas saberemos em breve e depende do desenrolar de muitos fatos, entre eles, quem sairá vitorioso nas próximas eleições.

Fato é de que o país está sob iminente crise econômica. Já é dado por certo que haverá colapso no sistema de abastecimento de água, do qual dependem milhões de pessoas, além de empresas. O estado de São Paulo concentra o maior PIB da América do Sul e uma crise aqui teria repercussões catastróficas que afetará os outros países vizinhos. Este é o nosso “incêndio no Reichstag”. Quando o fascismo quer poder, ele inventa uma crise para obtê-lo com a força da opinião pública.

Portanto, e com a polícia já aceitando naturalmente o papel de pisar sobre a Constituição, enquanto deveria preservá-la, aceita passivamente o papel de servir políticos criminosos e incompetentes, faz estoques de munição e cria catálogo das pessoas manifestantes. Até agora já são mais de 730 pessoas catalogadas. O governo sabe que, quando a crise eclodir, estes serão os primeiros a reagir.