sexta-feira, 29 de abril de 2016

Móveis escandinavos



Um móvel escandinavo é uma mobília que você mesmo pode fazer ou comprar de um artesão a um preço bem mais acessível do que se fosse adquirido numa loja. Feito com sobras de materiais, o objetivo é ter dentro de casa um mobiliário barato, mas sem abrir mão de ter uma peça com design criativo.

O termo "escandinavo" surgiu por causa das caixas de madeira que embalavam o bacalhau importado da Noruega (que é um país escandinavo). Quando uma pessoa não tinha dinheiro para comprar, por exemplo, uma cadeira ou um criado mudo, uma outra virava-se para está e lhe dizia: "por quê você não arruma um móvel escandinavo"? Era também uma forma de fixação, já que pelo menos a madeira do caixote era importada do exterior.

Mas com o tempo o termo amadureceu e hoje pode ser considerado uma "mobília escandinava" qualquer peça que  tenha cores abusadas. Isso mesmo, você não precisa mais ir procurar caixotes no Mercado Municipal para ter uma peça dessas.

Na foto você vê uma pequena estante que é exemplo perfeito dessa criatividade brasileira. Pintada de verde, essa "estante escandinava" era na verdade uma gaveta e no fundo foi colado um papel de paree. Tudo isso foi feito com material que sobrou de alguma construção. E é muito legal!

quarta-feira, 13 de abril de 2016


Publicidade da Telesp sobre as falecias fichas telefônicas, vinculada numa página do jornal O Estado de S. Paulo, em 21/12/1986.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Cuba sobre rodas

Adoro o Discovery Channel e também adorei esta série. Não tenho todos os capítulos aqui, mas abaixo você pode conferir alguns episódios. Incrível como os mecânicos de Cuba mantém seus carros funcionando na base de gambiarra há mais de 50 anos. Em um dos episódios, um dos mecânicos entra em desespero porque o cárter do motor rachou e precisava arrumar bateria e óleo para fazê-lo voltar a funcionar (coisas que mesmo no Brasil são possíveis de encontrar em qualquer supermercado).

Fico pensando em como trocavam as velas e os cabos de ignição durante todos esses anos... ok, os cabos de ignição provavelmente devem substituir por aqueles usados em edificações, mas e as velas? Você simplesmente não tem como "consertar" uma vela de ignição para prolongar seu uso, haja vista que os eletrodos vão se gastando com o tempo!

Os kits de reparo do motor são feitos de papelão (coisa que mesmo entre nós, brasileiros, fazemos). Demétrio Montalvo, um mecânico que tentou restaurar seu carro, mostrou duas molas de amortecedor que "não tinham mesmo nada a ver uma com a outra" em tamanho ou em largura e provavelmente também em número de espirais. Ele explicou, em um dos episódios, que usou um pedaço de borracha para adaptar e deixar as duas do mesmo tamanho. 

A Discovery acertou em cheio com esta série... sou fã deste canal já há decadas e francamente espero que continuem com esta. Encontrei no Youtube alguns episódios.










domingo, 10 de abril de 2016

De volta ao bazar


Dessa vez não encontrei no bazar alguma coisa que preste. Uma curiosidade (que não comprei, apenas tirei esta foto) foi esta pequena apostila de um curso de culinária da Walita, provavelmente dos anos 1960 ou 70. Estava todo destruído, no meio da seção de livros e o assunto foge totalmente do meus interesses em geral.

Mas o que achei interessante é que naquela época, está empresa estava introduzindo um produto (o liqüidificador) e a maioria, senão a totalidade, das donas de casa nem imaginava para que servia este aparelho, que já era utensílio presente na maioria das residencias americanas.

Portanto, um curso deste tipo tinha o objetivo de informar às mulheres o quê era e pra quê servia este aparelho.

Muitas mulheres provavelmente se sentiriam rebaixadas hoje com este tipo de coisa que, aparentemente, fortaleciam o machismo por meio do consumo, mas eu não penso desta forma, uma vez que foi este tipo de inovação que permitiu que a mulher passasse a ficar menos tempo na cozinha e pudesse a de dedicar em outras atividades que lhe rendesse algum dinheiro e um pouco de independência do marido.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Calçada criativa

Em uma das esquinas da Avenida Pompéia, em São Paulo, um bar (cujo nome não reparei) fez uma calçada cujo o estilo vale a pena ser comentado e reparado.

Ao invés de somente colocar cimento, eles "adornaram" o chão com vários pedaços de ferro. Estes pedaços provavelmente são da demolição de casas antigas. Você sabe que antigamente as pessoas investiam para ter um portãozinho bonito, uma grade de janela ou porta de entrada bonita de ferro retorcido ou fundido. Bom, foi isso o que eles usaram! As imagens são auto explicativas:






Quando vi isso imediatamente me lembrei da minha falecida e saudosa avó que infelizmente nos deixou já slguns anos. Na calçada de sua pequena casa em Bauru ela tinha colocado várias moedas antigas e eu gostava muito daquilo. Vez ou outra vejo uma calçada por aí enfeitada com chaves, por exemplo. Se um dia eu tiver a oportunidade talvez faça o mesmo usando colheres!





quarta-feira, 6 de abril de 2016

Radio valvulado Emerson modelo 560

   

Sábado de manhã fui até uma loja de antiguidades na região de Pinheiros em São Paulo e comprei este rádio feito pela Emerson Radio and Television Company. Fabricado em 1947, este rádio abrange estações da faixa MW (ou seja, nem AM ou FM kkkkk), funciona com duas baterias, sendo uma de 4,5V e outra de 67,5V. As baterias não estavam no seu interior quando comprei e acho pouco provável que eu as encontrarei disponível no mercado.

De qualquer forma, alguém já deve ter mexido nele, ou tentou recuperá-lo de alguma forma (e provavelmente desistiu do projeto quando descobriu que teria de correr atrás de uma bateria que não existe). Existem fios que não foram soldados, o próprio falante não está ligado a nada. A boa notícia é que seu circuito parece intacto. Com alguma dificuldade, consegui encontrar o circuito deste aparelho disponível no site Radio Museum.

Feito de braquelite, a alça na parte superior chama atenção de que este aparelho foi feito para ser transportado em qualquer lugar. Os botões, infelizmente, não parecem ser originais. Estou pensando em pintar este aparelho, mas talvez eu não o faça.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Dois projetos de gerador de energia eólica simples pra você fazer em casa!

Eu já havia comentado antes sobre um desses projetos, mas agora que minha irmã me "encomendou" um resolvi montar mais este vídeo e mostrar como ficou. Ambos são identicos, com a diferença de que o circuito do primeiro projeto usei muito capacitor "reciclado" de outras placas. No segundo projeto, ao invés de usar tantos capacitores, utilizei apenas um. Os diodos são todos 4148.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Amplificador valulado de 1 watt




Fazer este projeto foi demais! Bem simples e perfeito para quem quer iniciar prática de montagem com circuitos valvulados. O circuito deste projeto foi obtido num livro chamado Practical Amplifier Diagrams, publicado em 1947, e acreditem, ainda é possível encontrar peças no mercado, inclusive a válvula.

Este amplificador foi concebido originalmente para amplificar sinal de áudio vindo de um fonógrafo (estamos falando de 1947...), mas pode ser usado para amplificar sinal de áudio de qualquer tipo de aparelho. Apesar de ser valvulado - descobri depois - não deve ser confundido com um aparelho de alta fidelidade.

Como se trata de um circuito de quase 70 anos atrás, achei que seria legal colocar tudo numa caixa de madeira e abusar da inspiração de um design vintage. A alça por cima da caixa foi um puxador de gaveta que tinha aqui em casa. Comprei um interruptor do tipo alavanca porque, embora o componente fosse novo, também contribuiria para dar aspecto antigo ao aparelho.

Além da válvula, uma outra coisa antiga que arrumei foi um soquete de lampada pequena que serve como luz indicadora para quando o aparelho estiver ligado. Isto foi dado por um ex-vizinho, um engenheiro que me deu várias peças velhas e não foi difícil encontrar uma lampadinha que servisse, na Rua Santa Ifigênia.



O circuito

A imagem acima mostra o circuito completo. Este aparelho funciona com energia alternada 115V vindo direto da rede elétrica. O transformador serve para converter a impedância de 3KΩ para 8Ω, ou seja, diferentemente da maioria dos aparelhos domésticos, a serventia deste transformador não é converter a corrente alternada em corrente contínua (este aparelho opera com alta tensão, não existe transformação de tensão, retificação de onda, etc)..

A parte interessante - e que exigiu algumas horas de estudo - foi a parte dos capacitores. Antigamente era possível encontrar capacitores de 50µF, 100µF, 200µF, 500µF e daí por diante. De lá para cá as coisas mudaram e, uma delas foi os valores comerciais dos capacitores. Uma dica que encontrei na internet é que, embora a tensão deva ser respeitada, você pode colocar um capacitor com valor comercial acima do que é requirido no projeto. Por exemplo, um capacitor de 400µF (que não existe mais) pode ser substituído por um de 620µF, sem problemas.

A base da válvula também foi componente novo, feito de cerâmica, também comprado na Santa Ifigênia. Muito cuidado na hora de escolher componentes, pois simplesmente não vale a pena comprar lotes de capacitores ou resistores antigos. Compre tudo novo, caso você queira fazer também.


Aparelho em funcionamento

No vídeo abaixo demonstro como funciona o amplificador. Conectado à ele está o meu Atari Punk Console, mas poderia ser um microfone ou qualquer outro tipo de aparelho que necessite amplificar o sinal de áudio.




Lista de componentes

A tabela abaixo mostra a lista de componentes. Existe uma relação da qual obtive no livro que não se encontra no mercado. Por esse motivo, a lista foi atualizada e ficou assim:


Componente
Designação original
Pode ser substituído por:
C-1
Condensador de papel, 0,05µF, 400V
Capacitor de filme de poliéster, 0,047µF, 630V
C-2
Condensador eletrolítico, 10µF, 25V
Capacitor eletrolitico, 10µF, 25V
C-3
Condensador de papel, 0,02 µF, 400V
Capacitor de filme de poliéster, 0,022µF, 630V
C-4, C-5
Condensador eletrolítico, 40 µF, 150V
Capacitor eletrolítico, 47µF, 160 V
C-6
Condensador de papel, 0,05 µF, 600V
Capacitor de filme de poliéster, 0,047µF, 630V
R-1
Potenciômetro, 1 MΩ
R-2
Resistor, 100 Ω, 1W
R-3
Resistor, 1000 Ω, 1W
SW
Botão liga/desliga
Valvula
117N7GT – 8 pinos
Suporte 8 pinos compatível com a válvula
Fios

Falante
3000 Ω


Como podem ver, não existe "condensador de 600V", você tem que procurar valores maiores e que sejam mais próximos.

Eu não posso deixar de terminar este artigo sem mencionar que obtive ajuda de algumas pessoas. A primeira delas foi do John's Workshop, um bom sujeito que entende bastante deste assunto e me ajudou a tirar dúvidas. Clique aqui para acessar o seu canal no Youtube e conhecer mais sobre seu trabalho.

O livro que mencionei acima chama-se "Practical Amplifier Diagrams" de Jack Robin e Chester Lipman, pode ser obtido em PDF na internet e para obtê-lo, basta clicar aqui.

David Cantelon oferece ótimas orientações e dicas sobre escolher os capacitores no seu website JustRadios.com. Para conhecer estas dicas, acesse este link.

Philip I. Nelson, também dá ótimas orientações sobre capacitores antigos em rádios e TVs valvulados em seu site AntiqueRadios.com. Para conhecer a página, clique aqui.

Uma coisa que você vai notar é que todos os autores nestes links acima sao bem encorajadores no sentido de incentivar as pessoas a consertar ou montar circuitos valvulados. E, embora todos eles estejam no outro lado do planeta, não posso deixar de mencionar aqui meu agradecimento por ter criado e manter suas páginas em funcionamento (alguns deles desde 1995!).