sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A escancarada falta de coerência

No interior de São Paulo não é incomum encontrar várias cidades pequenas com rituais religiosos que ocorrem há décadas ou séculos. A liberdade religiosa – cabe lembrar – é direito pétreo garantido (ou deveria ser...) pela Constituição.

Infelizmente não foi o que ocorreu para os moradores de São Roque neste ano. Uma tradição religiosa que inclui carros de boi numa procissão deixou de ocorrer neste ano, em contraste com a forma que tem ocorrido nos últimos 134 anos, pelo fato do município ter decidido trocar os bois por tratores...

O prefeito daquele município decidiu proceder desta forma após receber supostas ameaças por telefone de ativistas da causa animal. Como a cidade foi palco da questão do Instituto Royal no ano passado, ocasião aquela em que culminou na invasão e resgate de cães e ratos de laboratório em duas ocasiões, ambas com ativistas da ALF e black bloc, a prefeitura alega que a troca de bois por tratores foi para evitar possíveis tumultos.

De fato a constituição federal garante que o animal não seja torturado. Porém, observam-se duas coisas: a lei de crimes ambientais não está acima da liberdade religiosa e, mais importante, desfilar com animais não é considerado tortura no ambiente jurídico. Apesar dos animais usados na procissão serem bem cuidados e alimentados, os ativistas dos animais aparentemente se dão por satisfeitos com a censura religiosa que promoveram. Seria este o real objetivo das ameaças que a prefeitura optou por engolir? Com certeza que sim.

No dia 19.10.2013 os black blocs foram convidados a ir num protesto contra o Instituto Royal, manifestação aquela com evidentes indícios de fazer pressão para invadir o instituto novamente. O cenário que se sucedeu naquela tarde, como sempre, de guerra.

Porém, me parece que fugiu dessas pessoas a informação de que Lusvarghi habitualmente caça e come seus animais, mastiga a carne ainda crua e as divide com seus cachorros. Em outras imagens, a cabeça arrancada de uma ovelha, já sem a pele, é disposta num balde com uma poça de sangue. Fotos de patos e até ratos mutilados aparentemente são servidos para o gato de estimação. As imagens abaixo são do perfil do Lusvarghi numa rede social (clique para ampliar):






   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Para ser bem franco, eu particularmente não vejo nada de errado em caçar animais, contanto que não estejam em extinção. Ocorre que em certa ocasião eu conversei com um manifestante da turma dos “adeptos da tática” e ele me revelou ter nojo dos policiais militares porque considera a montaria uma forma de tortura contra o cavalo. Mas o Lusvarghi é um herói, certo?

Com o fim da copa parece que faltaram novas pautas para promover manifestações, razão pela qual as últimas tem sido motivadas com o tema “libertem os presos políticos”. Por que esta hipocrisia? Uma cidade inteira é ameaçada porque usam carro de boi numa procissão religiosa, mas uma outra pessoa, que come até carne crua, prepara suas refeições com as próprias mãos, algumas das quais aparentemente inclui até rato e este sujeito é defendido como prisioneiro político???? 

Francamente, que falta de coerência... Me parece que o correto seria a ALF e os black blocs fazer uma manifestação aplaudindo o DEIC, isto é, dentro da filosofia pró-animal em que eles se dizem ser defensores.