sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ditadora Dilma, ditador Alckmin, enfim, so' ha' ditadores...

Ainda nao entendo o motivo pelo qual o Alckmin esta' disparado nas pesquisas. Volta e meia quando criticam a ditadora Dilma eu cutuco: e o ditador Alckmin? Vamos ficar com este cara por falta de opcao??? Ja' nao bastasse a crise da 'agua, me parece que as pessoas nao enxergam (ou ate' se recusam a enxergar) o quanto o Alckmin transformou a Policia Militar num instrumento particular de poder. Pois entao fiquem com a opiniao de quem e' da PM...
De fato, desde as manifestacoes de junho de 2013, quem acompanhou os protestos de perto como eu viram como a Policia Militar muitas vezes age sem houver motivo algum para tal. Foi o que aconteceu na noite de 5 de novembro de 2013. Naquela noite, uma manifestacao pequena circulou pela cidade e, uma vez estando as pessoas no cruzamento entre as avenidas Paulista e Brigadeiro Luiz Antonio, a PM fez um cerco em torno das pessoas. Ninguem estava esperando nada naquela noite. Naquele momento eu tambem imaginei que fossem fazer um discurso final e dispersar.
Num dado momento um rapaz soltou um rojao para o alto. Esta foi a senha para que, num movimento ensaiado, a PM avancasse sobre as pessoas e espancaram todos os que estavam ali. Tive a impressao de que os que haviam discursado naquela noite no megafone eram os alvos prioritarios, entre eles, o Piaui.

O comandante encarregado da PM naquela noite, Major Larry Saraiva, disse para o editorial Estadao que as cinco pessoas detidas haviam avancado sobre os policiais militares. Mentira!
Situacao semelhante ocorreu em 22 de fevereiro de 2014. O direito constitucional de manifestar a liberdade de expressao foi severamente pisoteado numa acao feita pela policia militar que decidiu agir antes que houvesse acoes de vandalismo. De fato, naquela noite, as acoes de vandalismo que ocorreram foi depois que a PM cercou e levou presas 230 pessoas. Foram 230 pessoas que foram arrastadas para as delegacias de policia sem que tenham feito NADA.
As manifestacoes, em geral, eram uma mistura composta de um grupo bastante heterogenio de pessoas. Em linhas gerais, digamos que dois grupos se destacavam mais: os militantes de partidos politicos e os black blocs, anarquistas que nao tinham vinculo com partido algum. Me parece que as incursoes da policia militar visavam prender os militantes de partido e deixar os black blocs correr 'a solta.

Por exemplo, no dia 15 de Outubro de 2013, enquanto uma manifestacao caminhava pela marginal pinheiros, na altura da loja Tok & Stok, uns 5 ou 10 black blocs comecaram a atirar pedras contra alguns policiais militares. Os policiais rapidamente cercaram a manifestacao e reagiram, atirando contra as pessoas tanto gas lacrimogenio que formou-se uma nuvem espessa de fumaca, dentro da qual ninguem conseguia respirar. Nunca houve uma intencao das pessoas de correr para dentro da loja, tal como disse o editorial Folha mais tarde daquela noite. E' que simplesmente nao tinha para onde correr. E, diferentemente do que as pessoas pensam, uma vez dentro da loja, alguns funcionarios estavam acenando para entrar, ofereceram agua. Um gerente indicou para sair pela parte dos fundos e nao autorizou a entrada da PM no estabelecimento ate' que todos saissem. A parte mais interessante daquela noite e' que, uma vez estando as pessoas na rua de traz, a policia voltou a atirar granadas (uma das quais acertou minha perna e a marca esta' ate hoje) e prenderam ali uns 10 ou 15 manifestantes que eram de partido politico. Mas, a esta altura, os black blocs ja' haviam percorrido toda a avenida Vital Brazil e foram na estacao de metro Butanta, onde quebraram pelo menos 3 veiculos e um onibus, alem de pichacoes. Houve tempo ate para que eles fizessem barricadas no meio do caminho com entulhos encontrados na rua, alguns inclusive ardendo em chamas. Quando a policia chegou ate o local nao fizeram nada e foram embora.

E' dificil extrair um entendimento claro do que se passa na cabeca dos comandantes da policia militar. Em linhas gerais, acredito que quando se tratava de militante de partido politico talvez houvesse uma orientacao para descer a porrada. Talvez, quando se tratasse de black bloc, ainda que tenha quebrado tudo, a orientacao fosse deixar eles correrem.

Com isto gostaria aqui de deixar dois raciocinios importantes: muito se fala que a legislacao brasileira e' fraca, mas quando a pessoa e' presa em flagrante, o tratamento que o detido recebe da justica e' bem mais severo. Todas as manifestacoes tinham contingente policial igual ou superior ('as vezes ate' o dobro) do numero de manifestantes. Numa situacao dessas, um banco e' quebrado e os policiais nao conseguem fazer uma prisao em flagrante? Duvido. Nao fizeram porque nao quiseram.

O outro raciocinio diz respeito a uma suposta ruptura entre PM e Secretaria de Seguranca Publica. No dia em que a concessionaria da Mercedes foi destruida numa manifestacao, a PM tinha feito um acordo com o MPL, lembram? Depois, o secretario Fernando Grella disse que nao sabia deste acordo e nao tinha autorizado-o. Que evidencia mais cabal temos de que o Alckmin nao apenas nao tem o controle da PM, bem como a PM nao quer ser controlada pelo Alckmin?

No dia 23 de Junho de 2014, houve uma mudanca radical de como as manifestacoes seriam vigiadas. Primeiro: a propria tropa de choque iria cercar as pessoas. Segundo: a PM nao faria as prisoes, elas seriam feitas pelos policiais civis do DEIC. Tal como disse o major Olimpio no video acima, a policia militar se recusa a se servir aos interesses politicos e particulares do ditador Alckmin, ao mesmo tempo que este esta' destruindo com a policia militar (e ja' teria destruido a policia civil)...

Com isto, tem-se que a situacao da policia militar em SP parece ser bem semelhante ao que ocorre com os policiais federais nas maos da ditadora Dilma Rousseff. Que sentido ha' condenar Dilma se Alckmin faz bolo com a mesma receita e ingredientes? Afinal, que logica ha' em condenar o aparelhamento politico da policia federal enquanto o Alckmin faz a mesma coisa? Me parece que a saida para ambos os casos seria os policiais decretarem a sua propria independencia ou agir no sentido de que ela seja concretizada. O ministerio publico, por exemplo, faz parte do poder executivo, mas nao recebe ordens do chefe do poder executivo. O mesmo nao ocorre com a policia que esta' inteiramente submetida ao poder executivo.

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No fundo, aos que se interessam sobre o tema, cabe apenas o papel de especular sobre a situacao, ate' porque nao e' possivel para um policial ser entrevistado e falar livremente sobre seu trabalho. Facamos aqui uma comparacao com o que ocorre nos EUA. No dia 26 de julho de 2009, um policial chamado James Crowley prendeu um professor da Universidade de Harvard chamado Henry Louis Gates numa acao em que o professor foi confundido por estar invadindo uma residencia. Ocorre que a casa era sua e Obama disse que a prisao teve motivacoes racistas porque Gates era negro. No dia seguinte, todos os policiais da cidade de Cambrige se reuniram na presenca da imprensa e o proprio sargento Crownley disse que o presidente Obama devia um pedido de desculpas a todos os policiais do pais pelos comentarios que fez. Me parece que aqui no Brasil, a policia e' chamada de facista e o sujeito nao pode sequer responder e dizer o que pensa. Enquanto nao tivermos uma policia que diga o que pensa, continuaremos tateando o escuro.