sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

"Meu amigo Dahmer" - a infância de um serial killer canibal contada por um colega de classe





Este livro cuja capa você vê na foto acima foi escrito por Derf Backderf sobre um dos serial killers mais famosos dos EUA, Jeffrey Dahmer, também conhecido como "o canibal de Milwalkee". Só existe a versão em inglês e adquiri o meu na Amazon.

Backderf é cartunista e usou sua arte para contar sua convivência com Dahmer na escola. Ambos estudaram na mesma sala de aula e relata uma história de adolescência muito sofrida. Dahmer não era um daqueles alunos "populares" entre sua turma. Chegava atrasado na aula, às vezes bêbado. Carregava uma pasta com cadernos e livros, mas dentro continha também garrafas de bebida alcóolica que consumia, sozinho, nas dependências da escola.

Dahmer aceitava fazer certas "exposições" como um sujeito com problemas mentais. Alguns de seus colegas lhe davam dinheiro e o levavam até algum shopping center local para que ele encenasse o papel de um demente para assustar ou constranger outras pessoas.

Jeffrey Dahmer aos 12 anos


Desde pequeno ele mantinha uma curiosidade mórbida, que em parte foi favorecida pelo fato do seu pai ser PhD em química. Primeiro ele procurava animais mortos perto de casa ou quando voltava da escola. Em seguida ele os colocava dentro de um jarro de vidro, junto com substâncias corrosivas, as quais ele tinha acesso em função da profissão do pai. E é assim que o livro começa.

O serial killer era uma pessoa alta, com mais de 1,8 m de altura, mas deixava-se intimidar até por garotos mais novos e menores do que ele, de quem levava tapas na cabeça, como se fosse incapaz de revidar ou defender a si.

Seus pais tiveram uma relação problemática e foi constatado que sua mãe tinha problemas mentais. Na opinião de Backderf, quando Dahmer fazia uma encenação de débil mental, ele estava na verdade imitando sua mãe, que também era alcóolatra.

Dahmer não teve relações afetivas com outras pessoas, tal como se espera de alguém durante a adolescencia. Aos 12 anos, seu primeiro beijo foi com um garoto com quem ele brincava e parou por aí. Aos 16 anos, convidou uma menina para ir ao baile de formatura, a qual - para a surpresa de todos da sua sala - acabou aceitando o convite. A menina acabou sendo abandonada pelo Dahmer no meio da festa, sendo que este saiu do baile para beber. Já bêbado, pegou a menina e a levou para a casa. Na opinião de um dos policiais que investigou o caso, depois que Dahmer foi descoberto, em algum momento de sua adolescencia, sua homossexualidade se misturou com o desejo mórbido que tinha pela morte.

Dahmer aos 16 anos.

Além de dissolver animais mortos em ácido, Dahmer também os despedaçava e mutilava, alguns acreditam que ele tenha se envolvido com tortura de animais ainda vivos. Um vizinho teria encontrado a cabeça de um cachorro num mato atrás de sua residência enfiada numa estaca, e o restante do corpo pregado ao tronco de uma árvore.

Cabeça de animal apoiada sobre uma estaca fincada no chão - acredita-se que tenha sido feito pelo Dahmer.

Logo depois de ter se formado na escola Revere, Dahmer se viu numa situação de abandonado pela própria família: seus pais haviam se divorciado e brigaram entre si pela guarda de seu irmão mais novo, que acabou ficando com a mãe. Ela e o irmão mais novo sairam de casa. O pai, também resolveu se mudar. De repente, Dahmer se viu sozinho na sua própria casa, como se tivesse sido esquecido por todos. Foi quando resolveu matar alguém.

O livro conta a história de Dahmer até aqui. Mas continuarei a falar sobre este caso, que considero doente e intrigante pra caramba.

Dahmer estava dirigindo quando avistou Hicks, um rapaz da mesma idade que ele e que estava pedindo carona nos arredores de sua cidade. Ele convidou Hicks para ir até sua casa e fumar maconha, sendo que o convite foi aceito. Mais tarde, quando Hicks demonstrou vontade de ir embora, Dahmer resolveu matá-lo. E, no chão da cozinha da casa, acabou cortando Hicks em vários pedaços, separando o cadáver em vários sacos de lixo.

Quando interrogado sobre o motivo pelo qual ele comia os corpos de suas vítimas, Dahmer respondeu que queria ser amigo das pessoas e que elas se aproximassem dele, e não era que ele tinha "fome" ou "desprezo" pelas suas vítimas, mas que era uma forma dele estar cercado de compania.

Após esta morte, Dahmer passaria outros 9 anos até matar outra pessoa. Durante este período, ele esteve no exército, tal como aconselhou o pai. Lá, ele foi dispensado porque bebia muito e estava sempre alcoolizado.

Dahmer alcoolizado.

Depois de sair do exército, Dahmer foi morar na casa de sua avó paterna. Mas não ficou muito tempo por lá porque a avó não aprovava o mal cheiro que vinha do quarto do seu neto. Este mal cheiro era proveniente de cadáveres em decomposição.

Dahmer trabalhava numa fábrica de chocolates e saía às noites em casas noturnas e bares frequentados por gays. Em um dos locais, Dahmer literalmente misturava drogas nas bebidas e a oferecia para quem se sentia atraído. Uma vez que a pessoa estava sonolenta, ele a levava para um quarto, onde fazia sexo com estas pessoas com elas desfalecidas e inconscientes. Um dia, o barman viu ele colocando algo na bebida, alertou o segurança e foi expulso de um desses bares, sem que a polícia tivesse sido acionada.

O tempo foi passando e, Dahmer, matando cada vez mais. Ele passou a convidar as pessoas para o seu apartamento, matava suas vítimas, e fazia sexo com elas mortas por dias. Para que sua experiência fosse prolongada, ele colocava os cadáveres dentro da banheira com gelo, e tomava banho gelado junto com os cadáveres para que o corpo podre durasse mais tempo.

Mas o cheiro de podre se acumulava, e as reclamaçoes dos vizinhos também. Dahmer tinha que se livrar dos corpos e guardava as partes "prediletas" dentro da geladeira, como mãos, cabeças e pênis de suas vítimas.

Um dia ele resolveu tentar uma nova técnica: ao invés de matar, transformar a vítima em um zumbi, de forma que ela pudesse ficar viva, mas ao mesmo tempo sob o poder absoluto de Dahmer. Assim, após drogar suas vítimas em casa, ele fazia uma perfuração no crânio das pessoas com uma furadeira, e através do orifício aberto ele inseria uma seringa contendo água quente ou ácido sulfúrico. 

Foi este procedimento ao qual foi submetido uma de suas vítimas mais novas, Konerak Sinthasomphone de apenas 14 anos de idade foi atraído para o apartamento de Dahmer depois que este lhe ofereceu um par de tênis novos em troca de algumas fotos seminuas. Sinthasomphone conseguiu fugir do cativeiro e encontrado andando nas ruas somente de cueca por duas mulheres, que acionaram a polícia. Dahmer conseguiu localizar Sinthasomphone e tentou convencer as moças de que eles estavam juntos e que o garoto estava bêbado. Quando a polícia chegou, acreditou que Sinthasomphone e Dahmer eram apenas um casal, tal como o assassino tinha contado. Mais tarde, estes dois policiais haviam sido expulsos da polícia por não ter averiguado a denuncia das moças com cautela. Acredita-se que a atitude dos policiais tenha sido motivada por racismo, já que Dahmer era branco e as duas moças eram negras. Ao chegar em casa, Dahmer sufocou Sinthasomphone até a morte.

Por fim, uma ultima tentativa de matar foi frustrada e mais uma outra vítima fugiu de Dahmer com vida. Este avisou a polícia, que arrombou o apartamento e encontrou partes de corpo humano dentro da geladeira.

O tribunal foi um show de horrores, com declarações do próprio Dahmer sobre como mutilava e como fazia receitas com rins de suas vítimas. Alguns familiares se exaltaram e tentaram agredir Dahmer mesmo durante o julgamento.

Ele pegou prisão perpétua e, mais tarde, disse à imprensa que se sentiu aliviado por ter sido descoberto e poder dividir com outros sobre a verdade e os fatos das mortes. Hicks, por exemplo, havia sido dado como desaparecido e a familia desconhecia que ele estava morto já há mais de 10 anos. Dahmer se converteu ao cristianismo e, pouco depois, foi morto com um golpe de haltere no rosto, da mesma forma que golpeou sua primeira vítima. Os exames concluiram que Dahmer tinha condições de perceber quando estava sendo atacado, mas não esboçou qualquer reação de impedir que sua vida fosse tirada. 

A morte de Dahmer trouxe um certo alívio aos homossexuais de Milwalkee que tinham medo de saír de noite. Alguns ativistas gays acreditam que graças ao Dahmer, a cidade nunca mais teve baladas voltadas a este público.

O personagem assassino e canibal Dr. Hannibal Lecter, dos filmes O Silêncio dos Inocentes, Dragão Vermelho e Hannibal foi inspirado na biografia de Dahmer.