quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Saiba como evitar o golpe de ambulantes de metrô e trem

Nesses dias fui até a região da Berrini e, pelo trajeto, acabei pegando a linha 9 da CTPM. Eu nunca compro coisas de vendedores ambulantes, pois sempre fui atento às chamadas de áudio que a companhia de trens faz nos auto falantes de não incentivar este tipo de comércio.

Olhe bem para a imagem abaixo: parece um pendrive, mas não é. É um adaptador de cartão de memória, sendo que ele aceita até 32 tipos diferentes de formato. Convenhamos, não é uma coisa muito útil...


Mas no dia que comprei, achei que fossem pendrive de 32 GB. Pelo menos foi o que informou o vendedor. Ele entrou no vagão e disse que estava vendendo cada um por R$ 10,00. Num dado momento, ele diz ter visto dois seguranças da CTPM entrar no vagão anterior e simula ter medo de ser pego vendendo. Fala isso em voz alta. Inclusive pega um rádio e simula uma tentativa de aviso para seus colegas.

Neste ponto ele ergue a voz e disse estar desesperado. Apela para não ser pego com suas mercadorias e lança uma promoção: dois pendrives por R$ 10,00. A promoção é irresistível e surgem os primeiros compradores. Em curtíssimo tempo, outros demonstram interesse antes que acabe o estoque. A investida do ambulante golpista dá certo.

Dá certo também a imagem que transparece: a de um brasileiro trabalhador, desempregado, desesperado para pôr comida na mesa e alimentar sua filha. Se a pessoa não é atingida pelo desespero consumista, certamente será alcançado pela investida do vendedor-golpista que apela pelo sentimento de patriotismo. Foi neste ponto que resolvi ajudá-lo. Minha intenção não foi o de aproveitar as promoções, mas francamente fiquei com pena daquele homem, aparentemente, tentando sobreviver nesta atmosfera de desemprego acentuado, mais uma vítima anônima de um governo medíocre da Dilma Rousseff. Senti-me no dever de ajudá-lo. Entreguei uma nota, peguei os dois pendrives e rapidamente os enfiei no bolso...

Depois que saí da estação, fui dar uma analisada da compra realizada. Foi aí que notei que ambos os artigos não eram pendrives, mas adaptadores de cartão de memória no formato de um pendrive bastante familiar. Senti-me completamente abusado. Não porque os itens comprados não me oferecem nenhum tipo de utilidade, mas porque o sujeito mentiu descaradamente, abusando do sentimento de compaixão - meu e de muitas outras pessoas.

Por causa de atitudes como esta, de desonestidade descarada, ficarei com o pé atrás na próxima vez que algum real necessitado pedir ajuda. A Igreja nos orienta a fazer caridade, mas até nessas horas temos que refletir sobre se a pessoa que pede ajuda está ou não sendo honesta. Chegamos ao ponto em que as pessoas simplesmente não têm o menor pingo de caráter. Transformou-se num "vale tudo" para enfiar dinheiro no bolso a qualquer custo, ainda que na base da mentira contra o próximo.