quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Uma expressão deplorável chamada "colaborador"...

Alguém já se questionou a origem da expressão “colaborador”?

Quando os nazistas invadiam um país, eles procuravam pessoas naturais da nação invadida que estivessem dispostas a colaborar com o planejamento estratégico da invasão. Tomemos como exemplo a Holanda: de repente, e sem entender, a população holandesa se viu escandalizada com o recém aumento de pessoas que ascenderam socialmente. Os que outrora viviam à margem da sociedade holandesa agora andavam nas ruas exibindo sua arrogância em ternos novos e sapatos caros. De início, ninguém conseguia entender como um mendigo ou um varredor de ruas conseguia ganhar tanto dinheiro de repente. O fim da grande guerra esclareceu: o alto escalão do exército de ocupação nestes territórios pagavam altas somas de dinheiro àqueles que denunciassem a localização de judeus escondidos. Tudo o que o indivíduo tinha que fazer era ir até a polícia e denunciar. Uma vez capturado os judeus, o cidadão era recompensado. A estes, os nazistas chamavam de COLABORADORES.

Não tenho registros se tal expressão era empregada anteriormente à época da Segunda Guerra mundial, mas com certeza tornou-se comum naquela circunstância. Os colaboradores podiam ser holandeses, franceses, italianos, enfim, onde estivesse a máquina mortífera de Hitler havia a possibilidade de pessoas sem qualquer escrúpulo moral delatar a localização de judeus ou pessoas politicamente indesejadas pelos nazistas.

Dizem que quando os alemães invadiram a Dinamarca, a monarquia daquele país passou a usar a Estrela de Davi (insígnia usada para identificar os judeus), como forma de protesto que estimulou outros dinamarqueses não-judeus a fazer o mesmo. Talvez por isso, na Dinamarca houve menos capturas que nos outros países.

O caso holandês se destaca porque no auge da guerra havia um pequeno contingente de militares da SS, não mais do que 1100 soldados no total. Entretanto, este pequeno contingente logrou em capturar uma grande quantidade de judeus em função dos chamados “colaboradores”.


Colaboradora francesa do regime nazista após ser capturada e sob punição da população local


Não vamos aqui adentrar muito na historiografia militar, mas já da para perceber aqui meu ponto de vista ao uso desta expressão que considero ser escrota. “Colaborador”, no sentido nazista, está atrelado à noção do cidadão natural de uma região ocupada que contribui com as forças de ocupação, aliado ao inimigo do próprio país, no sentido de servir e obedecer aos interesses dessa força militar de ocupação inimiga, obtendo-se em troca dinheiro. É um sentido estritamente mercenário, de um tipo de pessoa que dorme durante a noite tranquilamente enquanto outras são presas e levadas aos famigerados campos de extermínio.

Quer dizer então que sua empresa tem colaboradores? Pessoas sem escrúpulo que fazem tudo e qualquer coisa por dinheiro? Após esta breve revisão histórica acima exposta, espero que o leitor considere se está certo ou não este tipo de pensamento.

Não entendo estes “modismos” que existem no campo da Administração. Há dez anos, por exemplo, muitas empresas mudaram o nome do departamento de RH para “TH” (Talentos Humanos). Mais ou menos na mesma época virou moda esta conduta de chamar todos os partícipes de uma organização de “colaboradores” – pra quê isso?

Prefiro dizer que na minha empresa há funcionários. Pessoas que estão dedicadas a produzir um bem e um serviço disponível para desenvolver um bem a um público que demanda por este esforço. É importante que estes funcionários tenham em mente que dinheiro não é o único fator importante da empresa, e que outros objetivos qualitativos (fatores comportamentais, tais como, treinar ou ajudar semelhantes em dificuldade na execução de suas tarefas) é mais importante do que viver numa organização em que cada um está tão somente preocupada com o seu umbigo.

No que diz respeito a estes modismos, ignore-os: só servem para vender livros, ou ficar bonitinho no corpo de um e-mail...