sábado, 28 de setembro de 2013

General Patton Jr.: lições de um estrategista da 2ª Guerra para os dias de hoje.



Adoro história militar. Boa parte da Administração contemporânea tem muito a dever às forças militares em vários aspectos, por exemplo, liderança, estratégia, gestão de recursos, treinamento... toda a noção existente atualmente desses conceitos vieram dos meios militares.

Justamente por isso, adoro história militar, sobretudo das 1ª e 2ª Grandes Guerras e Guerra Fria.

Toda vez que você passar na frente de uma loja 24 horas, lembre-se deste nome: General George S. Patton Jr. Ele praticamente inventou este conceito de serviço que funciona sem interrupção, ou se você preferir, uma “guerra 24 horas”.

A fama e a reputação de Patton nasceu logo após o desembarque das primeiras tropas americanas em Marrocos, logo após eles combaterem os alemães pela primeira vez. Os auxiliares de Rommel julgaram que os americanos estavam mal equipados e mal treinados para a guerra e que logo desistiriam de lutar contra os alemães, na campanha do Afrika Korps.

Patton primeiro incumbiu-se do “moral” da tropa, obrigando a todos a se vestirem adequadamente para a guerra. Todo soldado que não fizesse as refeições dentro dos horários permitidos ficavam sem comer até o horário seguinte. Também aplicou multas para soldados que não estivessem usando todo o equipamento militar. Quando Patton mandou os médicos usarem o capacete, um deles retrucou “como vou usar o estetoscópio com o capacete na cabeça” e Patton respondeu “faça dois buracos no capacete, um em cada lado, mas jamais tire o capacete da cabeça, pois você é também um soldado e deve dar o exemplo”. Na opinião dele “eles não se aparentam como soldados, não agem como soldados, como vocês podem esperar que sejam soldados”, disse uma vez.

Muita atenção foi dada pela maneira rígida que tinha de gerenciar as tropas. Houve também uma ocorrência em que chegou a esbofetear um soldado na cara dentro de um hospital de campanha, quando este estava sofrendo de um “ataque de nervos”. Chamou o soldado de covarde e o caso foi parar na mídia, e depois na mesa de Eisenhower, o comandante supremo das forças aliadas. Este último mandou Patton pedir desculpas publicamente e na frente das tropas. Mas nem isso abalou nem um pouco a fama do general, que era visto com admiração pelas famílias americanas, apesar dos soldados que estavam em combate o achar como um sujeito que estava disposto a trocar a vida dos soldados pela glória da vitória.

Patton estava preocupado em vencer a guerra. Já era um vencedor antes mesmo de entrar em combate. Estudioso da história militar, ele previu com sucesso que a operação do Dia D não duraria apenas algumas horas, como havia sido previsto inicialmente, mas acabaria encontrando obstáculos naturais, formados por plantas que cresciam de maneira selvagem há séculos em torno da costa da Normandia.

Referenciado como “Old gut and bloods”, Patton tirou as forças aliadas de diversas situações embaraçosas, planos mal formulados, exigindo dos soldados o máximo de empenho nas campanhas. Seu sonho era combater o exercito vermelho. E provavelmente teria êxito em combater o comunismo, se os políticos em Washington não o tivessem detido.

Mas o que exatamente está por trás do prestígio da imagem de Patton? A resposta a esta pergunta está no fato, não apenas dos números impressionantes (resultados), mas em como ele foi capaz de obter sucesso e a receita é simples. A linha de frente tinha que receber duas coisas: apoio aéreo e os suprimentos (alimentos, combustível, remédios, veículos, munições, etc) pela retaguarda. O que Patton fez foi manter esse abastecimento logístico constante. Durante a guerra, ficou nítido, não só para ele, mas também para o general Bradley (apelidado de “general soldado”) que era vital manter o front de batalha em constante abastecimento de materiais, para que pudesse avançar. Na verdade, Patton foi além: chegou a dividir a tropa em turnos, enquanto um turno descansava, outro lutava.

A frase “o exército marcha sobre os estômagos” (de autoria de Napoleão Bonaparte sintetiza que o exército deveria levar consigo a própria comida ao invés de obrigar o soldado a roubar alimentos dos povoados que conquistava) chegou a ser “adaptada” por Patton na seguinte forma “o exército marcha sobre a logística”.

Patton não criou a logística, mas a aplicou no exercício da guerra. A noção de uma cadeia de suprimentos abastecerem constantemente uma indústria ou estar disponível à realização de um serviço essencial no esforço de guerra foi uma concepção que nasceu de uma evolução na mentalidade administrativa americana durante o esforço de guerra. No início da guerra, os americanos não tinham aviões, tanques e toda sorte de equipamentos necessários para entrar na guerra e, como se não bastasse isso, além de ter sido pegos de surpresa no ataque de Pearl Harbor, tiveram que abastecer outras nações aliadas, como a Inglaterra e o governo da França e da Polônia no exílio, e depois a Holanda, Itália e Áustria. Este desafio demandou um novo tipo de esforço, tanto que a mulher americana passou a ser contratada nas indústrias e campanhas do tipo “Do It Yourself” passaram a ser postas em prática para que as mulheres agissem como operárias e executoras de serviços braçais aos quais antes não estavam acostumadas a fazê-lo. Alinhado a isso, a indústria americana, abastecida com dinheiro do governo, e contratadas para atender as demandas do Exército americano, demandou tanta matéria prima que as estradas de ferro e de rodagem ficaram cheias de veículos que abasteciam as indústrias ininterruptamente. Patton simplesmente aplicou a idéia na guerra, mas ao fazê-lo, inventou um novo conceito até então não existente.


A contribuição de Patton o tornou temível entre os nazistas, cuja indústria não era tão eficiente como a americana, além dos generais nazistas terem que digladiar com Hitler sobre o destino dos recursos, cada vez mais escassos, durante as campanhas das forças do eixo.